Olá a tod@s,
Estamos reativando nosso canal de informações para Capão da Canoa, e também trazendo informações gerais dos poderes públicos em todas as esferas.
Objetivo é deixar a população esclarecida com as mais diversas notícias que movimentarão a política e a vida da população brasileira nos próximos dias.
Um grande e fraterno abraço,
Arilson Wunsch
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019
segunda-feira, 12 de março de 2012
Manifestação contra privatização da água
Centenas de pessoas participaram, na última sexta-feira, de um protesto pelas ruas do Centro de Porto Alegre contra o processo de privatização da água. Vestindo camisetas brancas e carregando bandeiras, os manifestantes buscaram chamar atenção da população para os processos de Parceria Público Privadas (PPP) que estão sendo firmadas na área do saneamento no Estado.
O movimento, que começou na Usina do Gasômetro, seguiu pela rua dos Andradas até o Largo Glênio Peres, foi promovido por diversas entidades nacionais. Segundo o secretário-geral do Sindiagua/RS (uma das entidades envolvidas), Arilson Wunsch, muitos governos estão tratando a água como mercadoria. Ele alertou que há muitos conglomerados estrangeiros interessados em lucrar com o consumo de água. "Esse assunto infelizmente não recebe o espaço adequado e acaba não sendo discutido. A população precisa saber o que está sendo tratado e como isso poderá prejudicar a todos. A água é uma das necessidade mais básicas da humanidade e deve ter o tratamento adequado", afirmou.
O tema será levado, entre os dias 21 e 23 de março, ao II Fórum Internacional de Gestão Ambiental "Água e Comunicação: Uma Relação Vital" que será realizado no Teatro Dante Barone, da Assembleia, com organização da Associação Riograndense de Imprensa (ARI). Com este Fórum, a ARI quer promover um debate avançado sobre os cuidados com recursos naturais e mostrar que é necessária a participação da sociedade civil organizada para uma gestão moderna do meio ambiente.
Informações sobre o evento podem ser obtidas no site www.figambiental.com.br, pelo e-mail figa@inoveeventos.srv.br e pelo telefone (51) 3226-6619.
Fonte: Correio do Povo
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Ciclistas do mundo, uni-vos!, por Jorge Barcellos*
Nos Estados Unidos, uma propaganda ironizava estudantes que iam para a faculdade de bicicleta, mostrando um ciclista sendo ultrapassado por uma bela moça em um carro. Muito criticado, o anúncio, que terminou retirado, encerrava-se com a frase “Deixe de pedalar... comece a dirigir”. O contrário bem que poderia ser o tema do 1º Fórum Mundial da Bicicleta, a ser realizado em Porto Alegre nos próximos dias. “Deixe de dirigir... comece a pedalar” é a utopia que só pode surgir na sociedade onde o automóvel cobra alto preço por sua existência. Mas, para que o seminário dê frutos e não se transforme em apenas mais um evento da Capital, seus participantes terão de responder a duas questões essenciais.
A primeira é como recuperar a necessidade da velocidade democrática. Quando foi inventado, o automóvel proporcionou a experiência inédita de andar mais rápido que diligências, carruagens, trens e bicicletas. Antes, a velocidade era democrática: todos andavam na mesma velocidade, diz André Gorz. O carro estabeleceu uma velocidade de deslocamento para a elite e outra para o povo. Mais: ele gerou uma nova forma de alienação, já que, enquanto o ciclista é capaz de consertar seu veículo, o motorista torna-se dependente de especialistas que cobram caro por seus serviços. Num mundo onde todos querem ir a qualquer lugar mais rápido, como colocar a necessidade de ir devagar?
A segunda questão é como transformar o ciclismo em questão política. No passado, no tempo em que a distância entre o mundo onde se vive e o mundo onde se trabalha era menor, a bicicleta era um bem comum e a maioria dos trabalhadores a possuía para trabalhar. Fazia parte, portanto, dos procedimentos relativos à vida nas cidades – da pólis, daí política – o uso da bicicleta. Paradoxalmente, o que despolitizou o ciclismo foi o seu afastamento das camadas populares, transformado em esporte de elite, e a progressiva transformação do automóvel de bem de elite para bem popular. Hoje, quase todo mundo tem carro mas muitos não têm bicicleta. Tornamos as cidades inabitáveis ao deixarmos de ser proprietários de bicicletas para nos tornarmos consumidores de automóveis.
Mas politizar o ciclismo não é apenas pensá-lo somente no campo das políticas de mobilidade, atual estágio da discussão. É preciso ir mais além, pensar o bicicletar como um novo humanismo – “Pedalo, logo existo” –, como diz Marc Augé. Não optamos pela bicicleta porque gasta menos energia ou polui menos, argumento produtivista que esquece o mais importante: optamos pela bicicleta porque ela possibilita ao cidadão experienciar a cidade como espaço de aventura, lugar de descobertas, possibilitando às pessoas se encontrarem em vez de ficarem reclusas em suas casas com medo da violência. A bicicleta transforma a vida social, aprende-se a “pedalar junto”, e isto ajuda os cidadãos a tomar consciência de si mesmos e dos lugares que habitam.
Quem diria! O velho sonho comunista encontrou uma forma secreta para retornar, agora sem sangue e sem revolução: a partir de um mundo onde simples bicicletas são de todos, onde podemos pegá-las onde quer que estejamos para deixá-las logo adiante para outra pessoa, reinventamos a ideia de bem comum tão cara à esquerda. Não é o que as experiências ciclísticas de Barcelona e Paris já mostram? A Revolução Ciclista ainda não se consumou. É preciso fazê-la o quanto antes. Ciclistas do mundo, uni-vos!
*DOUTORANDO EM EDUCAÇÃO/UFRGS
*matéria publicada no jornal Zero Hora do dia 24/02/2012
Multiplicadores de pedaladas
De tanto ver o chefe chegar ao trabalho de bicicleta, em Blumenau (SC), surgiu a reivindicação: os funcionários queriam fazer o mesmo. A partir daí, o empresário gaúcho Eldon Jung já forneceu bikes a mais de 20 colaboradores, com a promessa de que, se as usassem por um ano, ficariam com elas em definitivo.
Aos 71 anos, Jung aparenta menos. Conta que deixou de fazer duas cirurgias devido às pedaladas. O humor também evoluiu. Quando ia de carro, os empregados que conversavam no intervalo saíam de perto se ele se aproximava, temendo repreensão. Isso mudou com a bicicleta.
– Na época, meus filhos disseram que eu não precisava ir todos os dias à empresa. Depois, vieram me perguntar por que eu quase não aparecia. Disseram que os colaboradores gostavam quando eu estava lá. Isso quer dizer que eu mudei – diz Jung, criador da ABCiclovias.
Outra pessoa que influenciou costumes foi a cientista social Renata Signoretti, 25 anos. Moradora da Capital, ela faz em 20 minutos o percurso até o campus central da UFRGS, onde trabalha. Lá, espalhou a paixão pela bicicleta e ganhou a adesão da chefe.
– Ela entrou para o Massa Crítica (grupo que incentiva o uso de bicicletas). Além disso, conseguiu um bicicletário para o Salão de Atos da UFRGS – comemorou.
Ande com cuidado
- Andar de bicicleta faz bem para a saúde e é divertido. Mas é importante seguir regras.
- Crianças não devem andar perto de carros. Precisam ir a um lugar seguro, como um parque.
- É bom ficar a uma distância segura de outras pessoas e bicicletas, para ninguém se ferir.
- Materiais de proteção, como capacetes, evitam machucados mesmo se a pessoa cair.
*matéria publicada no jornal Zero Hora do dia 24/02/2012
Hora de acordar para a bicicleta
Embora muitos brasileiros relacionem sofisticação à posse de automóveis, é a bicicleta que ganha terreno como símbolo de desenvolvimento. A circulação maciça sobre duas rodas em cidades do Primeiro Mundo, onde a alternativa chega a ser oferecida quase de graça à população, demonstra que pedalar se consolidou como um modo de vida nas nações mais civilizadas.
Uma das razões para isso é que as principais cidades desses países enfrentaram antes dilemas como falta de espaço, problemas de trânsito e excesso de poluição – elementos que os porto-alegrenses discutem desde ontem até domingo no Fórum Mundial da Bicicleta. Conforme a diretora de projetos e operações da ONG Embarq Brasil, Daniela Facchini, o uso das bicicletas já faz parte da cultura da população, principalmente na Europa.
– Aqui, o carro ainda é visto como símbolo de status. Lá, há uma conscientização sobre questões como trânsito e ambiente, que começa nas escolas – afirma.
Essa relação se reflete em números. As 20 cidades consideradas mais favoráveis ao uso da bicicleta, de acordo com relatório da consultoria dinamarquesa Copenhagenize, estão em países com PIB anual per capita médio de US$ 36 mil – enquanto a cifra mundial é três vezes menor.
Em comparação ao topo da lista, percebe-se o quanto Porto Alegre está distante. Enquanto a primeira colocada, Amsterdam, na Holanda, tem mais de 400 quilômetros de ciclovias, a Capital soma cerca de oito quilômetros – 50 vezes menos. Mas a infraestrutura necessária para que se use a bicicleta como meio de transporte – e não apenas de lazer – é bem mais complexa.
– São necessários estacionamentos próprios, tanto em pontos de conexão com outros meios de transporte, quanto nos locais de trabalho – sustenta Daniela.
As vantagens de se deslocar sobre duas rodas de forma rotineira, conforme o professor da Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) João Fortini Albano, são inúmeras. No espaço onde cabe um carro, é possível estacionar 10 bicicletas. Em distâncias de 400 metros a 1,5 quilômetro em grandes cidades, o trajeto é percorrido mais rapidamente sobre duas rodas. E tudo isso sem impacto ambiental – a cada 5 mil bicicletas em circulação, deixam de ser lançadas 6,5 toneladas de poluentes na atmosfera.
Essas comparações estimulam projetos como a oferta de bicicletas públicas, a exemplo de Paris.
– Na Europa, há uma conscientização muito grande. Aqui, estamos acordando para isso e percebendo que bicicleta não é só para o deslocamento do pobre ou o lazer do rico. É solução de problemas – observa Albano.
Conforme Albano e Daniela, a situação vem melhorando – como exemplifica o caso do arquiteto da Capital Fabrício Schwendler, 35 anos. Ele pedala de casa, em Ipanema, na Zona Sul, até o trabalho, na Cidade Baixa.
– Sempre que vou ao escritório de bike chego mais disposto. Consigo me desligar mais do mundo, faço quase que uma meditação durante o percurso. De carro, me sinto mais preguiçoso – afirma.
*matéria publicada no jornal Zero Hora do dia 24/02/2012
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
O míope dá uma no prego e outra na ferradura!
Ao escrevermos sobre determinado assunto, e externá-lo numa mídia, nem sempre e sadio e sábio fazê-lo só com a convicção pessoal e não olhar o todo, sob pena de dar uma martelada na própria mão.
É o caso das várias opiniões sobre as cotas na Educação, por exemplo, que além de tratar-se um princípio constitucional, finaliza-se também de fraternidade entre os humanos racionais (?), tratando-se assim de aplicar o dever do Estado das chamadas Políticas Afirmativas de composição para chegar a outro princípio fundamental que é a igualdade de condições.
Quando alguém externa que é contra cotas destinadas a determinado segmento ou estrato social, além de estar utilizando-se da liberdade de expressão, faz pressão contra a liberdade do conhecimento do outro, que talvez faça parte das minorias representadas nas casas legislativas, sendo que este pensamento representa tão somente seu umbigo!
Na Educação as cotas tem a função de garantir que o passado das capitanias hereditárias, do período imperial e escravocrata, do coronelismo, da exceção democrática da ditadura, não se instale e perpetue o “se sou branco, sou contra as cotas” só estou perpetuando tudo o que a história sempre contou: “os europeus ricos chegavam, traficavam pessoas, os escravizam, negros e índios, como mão-de-obra gratuita e não davam nada em troca, nem ao reino e sequer aos humanos”, contrariando até mesmo seus compatriotas iluministas. Se sou negro, índio, e depois europeu pobre, terei toda a história contra mim.
Esta é a função de um Governo democrático e fraterno. Levar a todos a Educação sem olhar a cor da pele, a religião, a ascendência ou descendência, condição econômica, mas mirando as oportunidades históricas de cada um, para não perpetuar as condições adversas construídas nos espaços temporais anti-humanos.
Reservar percentuais a uma determinada categoria, classe, estamento, é o fiel cumprimento da Carta maior constitucional, pois tratar os desiguais com desigualdade é a mais pura igualdade. Se dermos condições de acesso à Educação, à Saúde, à Segurança, à Justiça, ao Saneamento, públicos, vou ter mais subsídios para o convencimento destes à lutas sociais do bem secular. Se determinado serviço está entre as funções e determinações do Estado, e “é um bem de todos”, não posso ser contra um determinado acesso através das cotas, se depois os analfabetos não sabem a diferença entre o que é Público e Privado. Como vou explicar a diferença que faz isto para a sociedade se a esta mesma sociedade eu tratei de impedir o serviço a serem prestados.
Como vou a casa de um morador de minha cidade pedir, por exemplo, que assine determinado abaixo-assinado pela permanência do setor de saneamento como público, se eu mesmo fui contra talvez a que o filho, o amigo ou parente daquele a quem peço a assinatura não acessasse a Educação pública. Estarei fomentando a luta “na classe” e não “de classes”. Àquele que talvez teve sua oportunidade impedida por alguém que não deseja que certos direitos (Educação) sejam garantidos, vai estar legitimamente dizendo a aquele que quer seu direito garantido, como no exemplo acima, o Saneamento Público, que concorda com o acesso das empresas privadas no saneamento, água e esgoto, etc... Único vencedor nesta disputa é o capital financeiro-especulativo.
Sem fazer qualquer defesa do governo federal atual, mas tem-se visto que existem investimentos, tanto em Educação, comprando inclusive vagas nas escolas privadas para que os menos possuídos as integrem, como no Saneamento, e estamos na luta para cobrar o Estado de sua função social. Mas não posso só pensar no meu umbigo.
Depois que o filósofo Descartes descobriu com seu “cogito, ergo sum” ou o “penso, logo existo”, no século VXII, não tratava-se de pensar somente em mim próprio, mas no conhecimento que poderia obter com o outro, somado também de saber que as relações com o outro também deveriam fazer parte das minhas convicções. Hoje, em pleno XXI isto deve ser uma realidade para o “nós” deixando de lado o “eu”. Escrever à convicção de que o não acesso a qualquer bem material do outro não é possível, estou retornando ao período da inexistência do ser humano na Terra.
Roberto Barros e David Barros - estudantes de universidade pública, não cotistas;
Roberto Barros e David Barros - estudantes de universidade pública, não cotistas;
David Barros - Sociólogo
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Que país é esse? Este é o Brasil!
Nos anos 80, um refrão sacudiu a inquietude de um povo que sabia morar num país rico, mas não via prosperar a massa geradora dessa riqueza. “Que país é esse?, perguntava a Legião Urbana, denunciando que “nas favelas, no Senado, sujeira pra todo lado...”. E a cutucar nossa alienação, a letra de Renato Russo ironizava: “Mas todos acreditam no futuro da nação”.
O rock fez sua parte chamando-nos à atitude. Pois, se é verdade que somos brasileiros e nunca desistimos, também é fato que até a estabilização da moeda e até algum tempo depois, quem pagava a conta das crises financeiras eram os trabalhadores. Assim, projetar um futuro bom para o povo flertava com a irresponsabilidade.
Era mesmo difícil imaginar que, em apenas três décadas, o Brasil estaria ensinando ao mundo rico a impossibilidade de um desenvolvimento sem distribuição de renda e inclusão social. Mais difícil era crer que aquele país se tornaria a sexta economia do mundo e seria comandado por uma mulher que não tem o menor pendor para o populismo.
Mas nossa esperança teimosa provou sua força e, hoje, somos uma nação que tem voz nos dois hemisférios. E não por estar entre as grandes potências, mas por ter chegado até aí dividindo o bolo da riqueza. Hoje, se alguém pergunta que país é esse, qualquer um pode dizer: este é um país cuja presidenta eleita pelo voto livre, antes, foi presa e torturada mas jamais perdeu a ternura. Este é um país que apesar da ditadura militar e das elites mesquinhas, tornou-se uma força mundial travando uma única guerra: a guerra contra a miséria extrema.
Sim, o Brasil de 2012 ainda é um país machucado, violento, um tanto corrupto. Mas já é, também, um país mais igual, com oportunidades na educação e uma das menores taxas de desemprego do planeta; um país que cresce em plena crise financeira mundial, que tem baixa mortalidade infantil, que garante alimento e casa a quem nunca teve.
Há pouco, no Fórum Social Mundial Temático, Boaventura de Sousa Santos tratou de nos lembrar que só o aprofundamento da democracia – e não sua dispensa, como vem ocorrendo na Europa – vai garantir estas conquistas recentes do povo brasileiro. “A democracia está nas ruas e praças (únicos espaços não tomados pelo capitalismo financeiro) em Estados antidemocráticos.” As palavras de Boaventura contêm a resposta definitiva ao grito dos roqueiros para nos fazer seguir limpando a sujeira de que Russo falava. Para que quando nos perguntarem que país é esse, possamos responder: Este é o Brasil, um país que, respeitando seu povo, se fez respeitar no mundo inteiro.
ELVINO BOHN GASS
Deputado federal e secretário agrário nacional do PT
*texto publicado no jornal Zero Hora, edição do dia 08/02/2012
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